Tentei, com todo o cuidado do mundo, que aquela maldita porta não fizesse aquele maldito barulho que acordaria aqueles malditos cães que acordariam minha mãe, que, por fim, me irritaria com seus malditos comentários.
Malditos!
Encostei a mão na maçaneta e sussurrei para ela. "Vai ter que dar", pensei.
NHEEEEEEEEEEEEEEEEEEECCC!
- PORRA! - gritei!
Luzes se acenderam, os cães começaram a latir, e minha mãe veio berrando xingamentos em italiano - e entre os xingamentos, meu nome, é claro.
- Chiara! Quantas vezes eu já lhe disse?! Quantas vezes mais terei que repetir?!
- Ah mãe, me deixa! Não aconteceu nada! Eu sei me cuidar!! Ninguém anda nessa floresta a não ser nós! E gente como nós!
- Chiara!
- Mãe, está tudo bem! Eu sai para caminhar e perdi a hora! Veja, voltei antes das 3:33!
- Eu sei filha! Mas...
- O quê? Passei o dia na cidade, estava com as meninas, pode perguntar!
- O Cardeal esteve aqui, filha.
Empalideci. A presença do Cardeal em casa era pior do que qualquer castigo. Será que ele tinha descoberto?
Pela expressão serena da minha mãe, e pela calma anormal dela alguma coisa estava para acontecer ou alguma noticia ruim o Cardeal havia lhe dado. Fomos até a cozinha, acendemos algumas velas e nos sentamos. Minha mãe pegou dois cálices e uma garrafa de hidromel. Os cães haviam parado de latir e se deitaram embaixo da mesa.
- Filha, começou. Agora, mais do que nunca, você precisa parar com seus passeios noturnos. Não me olhe com essa cara, mas você precisa! O Cardeal disse que representantes da Espanha estão vindo ajudar nas buscas e caçadas. você está proibida de ficar fora de casa após às 18:00.
- Mas mãe, ninguém sabe de nada! E como farei com meus amigos?!
- Você pode vê-los até às 18:00 ou convidá-los para passar alguns dias aqui. A casa é grande, temos quartos disponíveis e nossos criados adorarão se ocupar com tarefas diferentes nesses dias que virão. E além do mais, eu gosto dos seus amigos! E os cães também!
Fiquei encarando minha mãe por vários minutos. Geralmente negociariamos a solução, mas dessa vez eu vi que não haveria negociação alguma. Ela havia se decidido, e só me restava agir conforme ela mandava.
Blog inspirado em contos de Vampiros de F.M. Crawford, Lord Byron, Bram Stoker, M.R. James...!
Mostrando postagens com marcador Bruxas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bruxas. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011
Hoje eu consegui tirar o dia pra mim. Eu adoro me reunir com minha mãe e minha tia, mas eu precisava só de um dia!
Acordei bem cedo. Ainda estavam todos dormindo quando fui sozinha até a floresta, e o sol ainda estava começando a surgir. A grama ainda estava um pouco úmida, os pássaros ainda cantavam sonolentos, e eu, somente eu, era a única totalmente acordada.
Na entradinha da floresta, começava uma trilha. Eu já estava armada com um bom jeans, botas, blusa de manga comprida e uma mochila com lanches, garrafas de água, celular e fones de ouvido (boa música, claro!) caderno e livro. Eu planejei passar o dia na floresta, então, deixei um recado pra minha familia. Nem o Bruxus iria comigo.
O Caim ainda não tinha voltado de viagem, mas nos falávamos regularmente por email ou por telefone. Ele disse que voltaria para o Natal, e que a melhor coisa que eu fiz foi mesmo ficar na casa da minha mãe até ele voltar. Mas eu não estava pensando nele. Estava mais pensativa sobre as coisas que eu vinha aprendendo sobre minha família e sobre mim. Eu pensava que ia ficar muito brava ou chocada com minha mãe por ter escondido de mim esses anos todos que eu era uma bruxa. Pelo contrário...! Eu adorei saber! Achei que aprender feitiços, magias e encantamentos seria dificil, mas nesses 3 meses já consigo dominar praticamente tudo o que é preciso. Eu aprendo rápido!
Tudo fazia mais sentido agora. Enquanto caminhava pela floresta entendi porque minha mãe se chamava Dionísia e porque minha tia estava sempre com uma garrafa de bebida na mão! Minha mãe e minha tia eram Sacerdotisas de Baco, e meu irmão, um bruxo elemental. Realmente explica porque as duas viviam bebendo vinho e porque meu irmão sempre colocava fogo nas coisas quando pequeno. E eu? Sou uma bruxa elemental como meu irmão, mas não tão poderosa... Meu verdadeiro poder está na natureza. Eu controlo plantas, animais e clima.
Caminhando pela trilha, fui lembrando de quando eu e meu irmão corriamos por aqui com nosso avô. Ele nos acordava muito cedo e nos levava para o lago para pescar. Ficávamos até a hora do almoço rindo, pescando e comendo frutinhas de arbustos próximos. Éramos nós e os 4 Sheepdogs da minha mãe - Paul, George, Ringo e John (não perguntem! rs).
Lembrei também de quando eu aprendi a fugir de casa. Minha mãe sempre vinha com a conversa de que eu não deveria andar sozinha pela floresta à noite pois os tigres poderiam me comer. Meu avô também. Os dois se esforçavam por me dar esse conselho quando na verdade eu sabia que algo estava errado. Não existem tigres livres na Inglaterra. A primeira vez que fugi, eu tinha 5 anos. Minha mãe me colocou para dormir dizendo: "Boa noite, minha boneca! E não adianta tentar correr por ai. A porta da cozinha está muito bem trancada!" Ela sabia o que eu ia fazer.
Assim que ela saiu do meu quarto, sai da cama e ouvi ela e meu avô rindo. Eles sabiam que eu ia correr. Corri pra floresta, afinal, dica grosseira assim uma criança de 5 anos entende! Eu corri sozinha pela trilha até cair no chão de tão cansada. A noite era fria, e eu estava usando pantufinhas, camisola, e um casaquinho de tricô. Lá deitada, enquanto me recuperava, fiquei observando as estrelas e comecei a conversar com as plantinhas ao meu redor. "Mamãe sabe que não existem tigres em Liverpool! Vou voltar pra casa e dizer a ela que eu encontrei um só para ver a cara dela!"
"E se a sua mãe tiver razão?"
Eu levantei e olhei assustada em volta. Achei que não tinha nada por ali até ele sair do meio dos arbustos e se sentar na minha frente. Ele sorria, e me deixou com uma sensação tão impressionante de segurança que eu corri e o abracei. O pêlo dele era grosso, macio e liso. Suas patas eram maiores do que a minha cabeça, e possuiam garras tão grandes e afiadas que levariam segundos para destroçar uma barra de ferro. Seu rabo era comprido, e suas orelhas grandes e redondas, levemente pontudas. Suas listras eram tão negras como a noite, e seu corpo se dividia entre um branco e laranja. Sua cabeça era enorme, seus dentes tão pontudos e afiados como suas garras e seus olhos eram de um azul céu hipnotizante.
"Você é menor do que eu imaginava, criança!"
Foi assim que eu conheci Amba.
Meu melhor amigo por toda a minha infância, meu "tigre-de-guarda".
Acordei bem cedo. Ainda estavam todos dormindo quando fui sozinha até a floresta, e o sol ainda estava começando a surgir. A grama ainda estava um pouco úmida, os pássaros ainda cantavam sonolentos, e eu, somente eu, era a única totalmente acordada.
Na entradinha da floresta, começava uma trilha. Eu já estava armada com um bom jeans, botas, blusa de manga comprida e uma mochila com lanches, garrafas de água, celular e fones de ouvido (boa música, claro!) caderno e livro. Eu planejei passar o dia na floresta, então, deixei um recado pra minha familia. Nem o Bruxus iria comigo.
O Caim ainda não tinha voltado de viagem, mas nos falávamos regularmente por email ou por telefone. Ele disse que voltaria para o Natal, e que a melhor coisa que eu fiz foi mesmo ficar na casa da minha mãe até ele voltar. Mas eu não estava pensando nele. Estava mais pensativa sobre as coisas que eu vinha aprendendo sobre minha família e sobre mim. Eu pensava que ia ficar muito brava ou chocada com minha mãe por ter escondido de mim esses anos todos que eu era uma bruxa. Pelo contrário...! Eu adorei saber! Achei que aprender feitiços, magias e encantamentos seria dificil, mas nesses 3 meses já consigo dominar praticamente tudo o que é preciso. Eu aprendo rápido!
Tudo fazia mais sentido agora. Enquanto caminhava pela floresta entendi porque minha mãe se chamava Dionísia e porque minha tia estava sempre com uma garrafa de bebida na mão! Minha mãe e minha tia eram Sacerdotisas de Baco, e meu irmão, um bruxo elemental. Realmente explica porque as duas viviam bebendo vinho e porque meu irmão sempre colocava fogo nas coisas quando pequeno. E eu? Sou uma bruxa elemental como meu irmão, mas não tão poderosa... Meu verdadeiro poder está na natureza. Eu controlo plantas, animais e clima.
Caminhando pela trilha, fui lembrando de quando eu e meu irmão corriamos por aqui com nosso avô. Ele nos acordava muito cedo e nos levava para o lago para pescar. Ficávamos até a hora do almoço rindo, pescando e comendo frutinhas de arbustos próximos. Éramos nós e os 4 Sheepdogs da minha mãe - Paul, George, Ringo e John (não perguntem! rs).
Lembrei também de quando eu aprendi a fugir de casa. Minha mãe sempre vinha com a conversa de que eu não deveria andar sozinha pela floresta à noite pois os tigres poderiam me comer. Meu avô também. Os dois se esforçavam por me dar esse conselho quando na verdade eu sabia que algo estava errado. Não existem tigres livres na Inglaterra. A primeira vez que fugi, eu tinha 5 anos. Minha mãe me colocou para dormir dizendo: "Boa noite, minha boneca! E não adianta tentar correr por ai. A porta da cozinha está muito bem trancada!" Ela sabia o que eu ia fazer.
Assim que ela saiu do meu quarto, sai da cama e ouvi ela e meu avô rindo. Eles sabiam que eu ia correr. Corri pra floresta, afinal, dica grosseira assim uma criança de 5 anos entende! Eu corri sozinha pela trilha até cair no chão de tão cansada. A noite era fria, e eu estava usando pantufinhas, camisola, e um casaquinho de tricô. Lá deitada, enquanto me recuperava, fiquei observando as estrelas e comecei a conversar com as plantinhas ao meu redor. "Mamãe sabe que não existem tigres em Liverpool! Vou voltar pra casa e dizer a ela que eu encontrei um só para ver a cara dela!"
"E se a sua mãe tiver razão?"
Eu levantei e olhei assustada em volta. Achei que não tinha nada por ali até ele sair do meio dos arbustos e se sentar na minha frente. Ele sorria, e me deixou com uma sensação tão impressionante de segurança que eu corri e o abracei. O pêlo dele era grosso, macio e liso. Suas patas eram maiores do que a minha cabeça, e possuiam garras tão grandes e afiadas que levariam segundos para destroçar uma barra de ferro. Seu rabo era comprido, e suas orelhas grandes e redondas, levemente pontudas. Suas listras eram tão negras como a noite, e seu corpo se dividia entre um branco e laranja. Sua cabeça era enorme, seus dentes tão pontudos e afiados como suas garras e seus olhos eram de um azul céu hipnotizante.
"Você é menor do que eu imaginava, criança!"
Foi assim que eu conheci Amba.
Meu melhor amigo por toda a minha infância, meu "tigre-de-guarda".
E enquanto eu pensava nas minhas memórias, quase chegando ao mesmo lugar onde conheci Amba, uma voz grave e grossa me tirou das minhas lembranças.
"Eu estive com saudade..!" - ele disse.
Eu corri para abraçá-lo e comecei a chorar. Eu estava com meu melhor amigo de novo.
3, de Novembro, de 2011
Interior de Liverpool.
Liverpool me parece uma cidade sombria hoje. Faz 3 meses que estou aqui e muita coisa mudou na minha vida. Muita coisa mesmo!
Desde que cheguei foram feitas várias reuniões de família. Reuniões onde eu, meu irmão, minha mãe e minha tia (e os bichos, claro!) se reuniam para tratar da história da família e também de magia.
Liverpool me parece uma cidade sombria hoje. Faz 3 meses que estou aqui e muita coisa mudou na minha vida. Muita coisa mesmo!
Desde que cheguei foram feitas várias reuniões de família. Reuniões onde eu, meu irmão, minha mãe e minha tia (e os bichos, claro!) se reuniam para tratar da história da família e também de magia.
domingo, 7 de agosto de 2011
Domingo, 07 de Agosto de 2011 - O Passeio
Estamos morando juntos agora. Eu, Caim e Bruxus. Caim não abriu mão do seu apartamento luxuoso, veio morar comigo mas achou que era por bem manter um outro refúgio. Desde a inesquecível noite de St. Patrick no apartamento dele até hoje, estamos construindo um bom relacionamento. Embora seja visível que ele me esconde ainda muita coisa, isso não me incomoda. Confio nele da mesma forma. Não me causa angústia, desconfiança e nem raiva que ele me esconda coisas importantes - ele vai me contar só que ainda não é a hora. Ele mudou muito, eu mudei muito. Ele está mais sociável, minha mãe o adora, meus amigos o adoram, meus colegas de trabalho... o adoram. Eu estou mais corajosa, mais confiante, mais envolvida... parece que tenho me conhecido melhor.
Caim precisou viajar. Partiu há dois dias para o Marrocos. Ele percorrerá Marrocos, Egito e Sudão. Alguns amigos dele, arqueólogos, encontraram alguns objetos estranhos em escavações nesses países, e embora o Caim não seja exatamente um arqueólogo, é a única pessoa em quem podem confiar essas descobertas. Seja como for, estou aguardando o email dele pra me contar do que se trata! Sei que ele já chegou ao Marrocos, mais ia se encontrar com os amigos apenas amanhã.
É apenas eu e o Bruxus. O lindo, enorme e carinhoso Husky monstruoso de olhos azuis.
Antes de o Caim ir viajar, perguntei se o Bruxus tinha algum detalhe especial para o qual eu precisava me atentar. "Não se preocupe", disse ele, "tudo o que ele precisar, quando ele precisar, ele vai te dizer. Pode ficar sossegada!". Tudo bem então. Quando quer comida, ele pede - e pelos Deuses, esse cachorro come como um tigre! - e hoje ele me pediu para levá-lo para passear. E lá fomos nós.
Saímos de casa por volta das 20:00. Sempre observei o Caim passear com ele sem coleira, então fiz o mesmo (afinal, que coleira ia se fechar em volta de um pescoço tão enorme?). Bruxus pareceia muito confortável, andando ao meu lado, despreocupado com o mundo. Foi ai que ouvimos. Ouvimos um uivo longo, agudo, e próximo. Bruxus saltou na minha frente, me impedindo de continuar o caminho.
"Tudo bem, garotão. Vamos voltar pra casa. É óbvio que há um cachorro tão grande como você por aqui e eu não quero que você se meta em alguma briga e se machuque. Seu pai me mataria, eu me mataria se te acontecesse algo! Venha, Bruxus!"
"Não vamos. Não vai dar".
Pois é. Ele me respondeu. Com uma voz rouca, e grossa, que parecia um trovão. O curioso é que eu não me assustei. Não me surpreendi, não fiquei chocada, não fiquei com medo. Ouvir a voz do Bruxus me deu coragem, e então eu comecei a entender algumas coisas.
"Como assim não podemos voltar? Vamos voltar sim ...... -"
"Não vamos voltar, Alex. Já sabem que estamos aqui. Seremos obrigados a lutar com eles para afugentá-los."
Antes que eu pudesse usar a clássica "pergunta-clichê" "Eles quem, Bruxus?", um lobo gigantesco (GIGANTESCO!) saltou sobre meu cachorro agarrando-o pelo pescoço. Eles rolaram pelo asfalto em meio a rosnados, latidos e uivos. Eu não percebi que mais desses lobos gigantescos estavam se aproximando - até que ficamos cercados por 5 dessas coisas. A coragem que o Bruxus tinha me passado deu espaço ao medo; um medo tão grande, tão assustador, que eu comecei a me sentir mal. Me senti mal pelo Caim, pela minha mãe, pelos meus amigos que eu deixaria. Quero dizer, eu ia morrer atacada por lobos monstruosos, e não tinha nada que eu poderia fazer. Desmaiei.
Acordei com o Bruxus lambendo meu rosto. Mas não era mais o Bruxus. Procurei em todo o lugar pelo Husky, mas no lugar dele uma pantera negra enorme. Ele falava comigo e tentava me acordar. Estava machucado. Levantei-me e olhei ao redor: os lobos ainda estavam lá, alguns mancando, outros sorrindo com uma malicia assustadora, e alguns outros estavam se transformando em homens. Eram lobisomens.
Me levantei do chão com uma coragem que não sei de onde tirei. Eu tinha força, coragem, vida e... magia. Eu podia sentir alguma magia poderosa dentro de mim. "Chame pelo fogo", Bruxus me disse. Eu não sabia o que queria dizer, mas uma voz dentro de mim começou a me dar a mesma ordem. E ai eu chamei. Chamei em palavras estranhas, em um idioma que eu não vou saber reproduzir aqui. Mas devia ser algo entre árabe, hebraico, aramaico. Enfim. Eu chamei.
Minhas mãos começaram a pegar fogo, e na mesma hora Bruxus foi atacado por um lobo. Eu não sabia o que fazer, até que a voz dentro de mim me orientou: "Vê o fogo nas suas mãos? Ele não te queima. Não vai queimar a pantera, basta que você se concentre no lobo que quer acertar". Me concentrei e busquei atingir o lobo. Labaredas poderosas sairam da minha mão, queimaram o tal lobo, e a pantera, ilesa veio para o meu lado. Até aquele momento os lobisomens não tinham me notado completamente. Tudo aconteceu tão rápido que a partir do momento em que desmaiei, pensaram que a 'humana" tinha sido fácil demais de lidar. Não contavam com o fato de que eu tinha magia. Eu também não contava com isso. Assim que eu encinerei um deles, ficaram em alerta. Os 4 restantes perceberam que a situação não estava mais a favor deles porque a humana era mais perigosa do que eles imaginaram. Lançaram um último olhar ameaçador para mim e para o Bruxus e fugiram. E eu... Bem, desmaiei de novo.
Acordei em casa, com Bruxus já em forma de Husky de novo. Eu não tinha dor de cabeça, tontura, nada. Era como se um outro eu dentro de mim tivesse despertado. Eu queria sentir a sensação de controlar o fogo outra vez. Mas antes, eu tinha algumas perguntas a fazer para um certo alguém. Eu queria saber porque o Bruxus fala e se transforma em pantera, eu queria saber de onde veio aquele fogo e aquela magia, e eu queria saber se os lobisomens foram uma ilusão ou não. Para tudo isso, Bruxus me deu apenas uma resposta. Mandei um email para o Caim e peguei o telefone.
Só tinha uma pessoa que poderia me ajudar a pensar.
"Alô? Mãe? Em que parte da minha vida você me contaria que eu sou uma bruxa?"
Caim precisou viajar. Partiu há dois dias para o Marrocos. Ele percorrerá Marrocos, Egito e Sudão. Alguns amigos dele, arqueólogos, encontraram alguns objetos estranhos em escavações nesses países, e embora o Caim não seja exatamente um arqueólogo, é a única pessoa em quem podem confiar essas descobertas. Seja como for, estou aguardando o email dele pra me contar do que se trata! Sei que ele já chegou ao Marrocos, mais ia se encontrar com os amigos apenas amanhã.
É apenas eu e o Bruxus. O lindo, enorme e carinhoso Husky monstruoso de olhos azuis.
Antes de o Caim ir viajar, perguntei se o Bruxus tinha algum detalhe especial para o qual eu precisava me atentar. "Não se preocupe", disse ele, "tudo o que ele precisar, quando ele precisar, ele vai te dizer. Pode ficar sossegada!". Tudo bem então. Quando quer comida, ele pede - e pelos Deuses, esse cachorro come como um tigre! - e hoje ele me pediu para levá-lo para passear. E lá fomos nós.
Saímos de casa por volta das 20:00. Sempre observei o Caim passear com ele sem coleira, então fiz o mesmo (afinal, que coleira ia se fechar em volta de um pescoço tão enorme?). Bruxus pareceia muito confortável, andando ao meu lado, despreocupado com o mundo. Foi ai que ouvimos. Ouvimos um uivo longo, agudo, e próximo. Bruxus saltou na minha frente, me impedindo de continuar o caminho.
"Tudo bem, garotão. Vamos voltar pra casa. É óbvio que há um cachorro tão grande como você por aqui e eu não quero que você se meta em alguma briga e se machuque. Seu pai me mataria, eu me mataria se te acontecesse algo! Venha, Bruxus!"
"Não vamos. Não vai dar".
Pois é. Ele me respondeu. Com uma voz rouca, e grossa, que parecia um trovão. O curioso é que eu não me assustei. Não me surpreendi, não fiquei chocada, não fiquei com medo. Ouvir a voz do Bruxus me deu coragem, e então eu comecei a entender algumas coisas.
"Como assim não podemos voltar? Vamos voltar sim ...... -"
"Não vamos voltar, Alex. Já sabem que estamos aqui. Seremos obrigados a lutar com eles para afugentá-los."
Antes que eu pudesse usar a clássica "pergunta-clichê" "Eles quem, Bruxus?", um lobo gigantesco (GIGANTESCO!) saltou sobre meu cachorro agarrando-o pelo pescoço. Eles rolaram pelo asfalto em meio a rosnados, latidos e uivos. Eu não percebi que mais desses lobos gigantescos estavam se aproximando - até que ficamos cercados por 5 dessas coisas. A coragem que o Bruxus tinha me passado deu espaço ao medo; um medo tão grande, tão assustador, que eu comecei a me sentir mal. Me senti mal pelo Caim, pela minha mãe, pelos meus amigos que eu deixaria. Quero dizer, eu ia morrer atacada por lobos monstruosos, e não tinha nada que eu poderia fazer. Desmaiei.
Acordei com o Bruxus lambendo meu rosto. Mas não era mais o Bruxus. Procurei em todo o lugar pelo Husky, mas no lugar dele uma pantera negra enorme. Ele falava comigo e tentava me acordar. Estava machucado. Levantei-me e olhei ao redor: os lobos ainda estavam lá, alguns mancando, outros sorrindo com uma malicia assustadora, e alguns outros estavam se transformando em homens. Eram lobisomens.
Me levantei do chão com uma coragem que não sei de onde tirei. Eu tinha força, coragem, vida e... magia. Eu podia sentir alguma magia poderosa dentro de mim. "Chame pelo fogo", Bruxus me disse. Eu não sabia o que queria dizer, mas uma voz dentro de mim começou a me dar a mesma ordem. E ai eu chamei. Chamei em palavras estranhas, em um idioma que eu não vou saber reproduzir aqui. Mas devia ser algo entre árabe, hebraico, aramaico. Enfim. Eu chamei.
Minhas mãos começaram a pegar fogo, e na mesma hora Bruxus foi atacado por um lobo. Eu não sabia o que fazer, até que a voz dentro de mim me orientou: "Vê o fogo nas suas mãos? Ele não te queima. Não vai queimar a pantera, basta que você se concentre no lobo que quer acertar". Me concentrei e busquei atingir o lobo. Labaredas poderosas sairam da minha mão, queimaram o tal lobo, e a pantera, ilesa veio para o meu lado. Até aquele momento os lobisomens não tinham me notado completamente. Tudo aconteceu tão rápido que a partir do momento em que desmaiei, pensaram que a 'humana" tinha sido fácil demais de lidar. Não contavam com o fato de que eu tinha magia. Eu também não contava com isso. Assim que eu encinerei um deles, ficaram em alerta. Os 4 restantes perceberam que a situação não estava mais a favor deles porque a humana era mais perigosa do que eles imaginaram. Lançaram um último olhar ameaçador para mim e para o Bruxus e fugiram. E eu... Bem, desmaiei de novo.
Acordei em casa, com Bruxus já em forma de Husky de novo. Eu não tinha dor de cabeça, tontura, nada. Era como se um outro eu dentro de mim tivesse despertado. Eu queria sentir a sensação de controlar o fogo outra vez. Mas antes, eu tinha algumas perguntas a fazer para um certo alguém. Eu queria saber porque o Bruxus fala e se transforma em pantera, eu queria saber de onde veio aquele fogo e aquela magia, e eu queria saber se os lobisomens foram uma ilusão ou não. Para tudo isso, Bruxus me deu apenas uma resposta. Mandei um email para o Caim e peguei o telefone.
Só tinha uma pessoa que poderia me ajudar a pensar.
"Alô? Mãe? Em que parte da minha vida você me contaria que eu sou uma bruxa?"
Assinar:
Postagens (Atom)
